Parece até que estou repetindo a semana dos vinhos, mas pense num fim de mês movimentado. Fico muito feliz de ver a cena gastronômica (o que inclui o vinho) com bons eventos em Fortaleza. Na última terça (26), a Vini Portugal promoveu um workshop para profissionais da área, sommeliers, donos de restaurantes e jornalistas no L'ô Restaurante. Para apresentar alguns vinhos portugueses em Fortaleza, a instituição convidou o médico, enólogo, crítico e diretor técnico da Wine Bahia, André Freire de Carvalho.
Num bate-papo descontraído, ele explicou o trabalho de divulgação de seus vinhos que Portugal tem realizado. Segundo ele, os portugueses perceberam que esta seria uma vertente econômica interessante e com potencial de crescimento. Daí, o surgimento de instituições como a ViniPortugal, que trabalha na promoção da viticultura portuguesa.
O mais legal de conhecer vinhos portugueses é perceber que eles têm castas, que vão além das mais conhecidas Cabernet Souvignon, Syhaz, Sauvignon Blanc etc. Das tintas, podemos destacar a Touriga Nacional, Baga, Castelão, Touriga Franca, e Trincadeira. Das brancas, as mais conhecidas são Alvarinho, Loureiro, Arinto, Encruzado, Bical, Fernão Pires, Moscatel e Malvasia Fina. Além das castas, Portugal também conta com regiões vinícolas bem definidas: Vinho Verde, Trás-os-montes, Douro/Porto, Alentejo, Setúbal, Tejo, entre outras.
Fiquei surpresa com alguns números apresentados por André, como o fato de 70% do mercado brasileiro consumir vinhos produzidos por vinhas não viníferas. A única vantagem disso é que existe um mercado potencial para os produtores de bons vinhos.
Depois de algumas informações, passamos para a degustação dirigida de seis vinhos. André explicou o processo de degustação, esclarecendo que o sabor do está diretamente ligado ao aroma. Ensinou técnicas, como aspirar o vinho, sentir aromas, acidez, sem precisar engolir. Mas, é claro que ainda vou beber muito vinho até começar a apenas provar e cuspir.
Primeiro, provamos o Varanda do Conde 2009 (R$ 35,00), da região Vinho Verde. Ele é feito de alvarinho e trajadura. No paladar, ele tem bastante acidez e é encorpado. O aroma lembra frutas cítricas. É uma boa opção para acompanhar peixes, mariscos e carnes brancas.
O segundo vinho foi o Bétula 2009 (R$ 68,00), da região do Douro, que conta com as uvas Sauvignon blanc, viognier. Tem aroma de frutas tropicais com algumas notas minerais. O terceiro vinho foi o Rovisco Garcia Rosé 2009 (R$ 42,00). Produzido com uvas aragonez, touriga nacional e syrah, tem paladar de fruta, é fresco e equilibrado. O aroma lembra frutas vermelhas, madeira e até café, depois de um certo tempo na taça.

Vamos aos tintos? O quarto vinho da degustação foi o Quinta de Pancas Selecção do Enólogo 2008 (R$ 51,90), de Lisboa. Na composição, touriga nacional, cabernet sauvignon, alicante e buschet. Conta com aromas complexos com notas de pimentões, minerais, terra e frutas fresca. O paladar tem estrutura, além de ser equilibrado. O quinto vinho foi o Alentex Premium 2007 (R$ 69,00), do Alentejo. Trata-se da combinação das uvas trincadeira e aragonez. O aroma sugere frutas vermelhas com notas de tostado e baunilha. Por fim, Follies Touriga Nacional 2007 (R$ 91,90), da Bairrada. O aroma lembrava frutas pretas, especiarias, chocolate. Na boca tem grande corpo, fim de boca longo.
Na sequencia, um coquetel abriu espaço para degustação de finger food e alguns pratos, como este delicioso filé com batatas e molho de mostarda e a pescada amarela com crosta de legumes e risoto de camarão. Delícias que você encontra no L'ô Restaurante.
Espero que você tenha aprendido um pouco sobre vinhos portugueses assim como eu aprendi. E, juntos, vamos continuar aprendendo porque se tem mundo que não acaba é esse da gastronomia.
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